
Kos Alguns dizem Kosm Como nós chegamos nesse ponto? Por que você deixou que eles te usassem? Por que deu vida a esta abominação? É por piedade? Ou por uma vontade intrínseca de elevar todos a sua grandeza? Ó, deusa da água, dos rios, dos mares, da correnteza, da chuva e do batismo Eu sou seu filho, afinal Você que criou outras serpentes e conchas e sorridentes lesmas do mar E transformou todos em peixes e seixos Quando nasci eu fui acalentado por palavras dignas de um rei Mas feitas por homens e suas línguas pérfidas «Contempla o elemento sem o qual nenhum mortal pode viver Receba essa água celestial que lava toda impureza do seu coração Filho, recebe essa água divina que deve ser bebida para que se viva Que se lave e se livre de todo o seu infortúnio Parte da vida desde o início do mundo Essa água tem o poder único para opor toda a desgraça Em que parte de você está escondida a tristeza? Deixa esta criança Hoje ela nasce de novo nas águas saudáveis em que ela é banhada Como é encarregado pela deusa do mar» Então cresci, com você mas sem você Você que tinha de cuidar de todo mundo ao seu redor Adolescente, me juntei a outros para te ajudar Erguemos rochas e carregamos tijolos para construir uma ponte aos céus Que nunca foi concluída As pessoas perdem o interesse As pessoas perdem a bondade As pessoas perdem a motivação As pessoas perdem o amor As pessoas perdem tudo Quando querem ganhar algo Enquanto o sol se punha atrás da lua Te convenceram que sua gentileza era desonesta Te convenceram que você tinha buscas egoístas E você chorou rios de sangue durante 52 anos E o dilúvio destruiu cidades e estados e países e continentes E para afogar meu pai e todos os pais Você me afogou também E nas profundezas do atlântico eu entendi Porque João testemunhou o apocalipse Porque João escreveu as palavras mais lindas que os humanos já puseram seus olhos Centenas de anos depois você encalhou na areia Suja, destruída e com parasitas por todo o seu corpo divino Eu também me pus a andar novamente Mas hoje estou velho E carrego a lua como uma placenta Eu nunca parei de me perguntar Por que você deixou que eles te usassem? Por que você deixou que eles te usassem, mamãe? Por que deu vida a esta abominação? Fundida a ferra e fogo e sangue e lágrimas Seu corpo e alma batizados noutro culto profano Ó, doce criança de Kos Retorna ao oceano Uma maldição sem fim Um oceano sem fundo Acolhendo tudo que foi e que é e que será nesse mundo
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