
Festa de aniversário da Marina, minha cunhada À noite numa cobertura do segundo andar De um prédio comercial no centro de BH Rua Curitiba se não me engano O chão de laje cimentada rachada mas com frescor de umidade Embaixo de árvores plantadas no segundo andar de um prédio comercial Uma piscina verde, dentro dela várias pessoas seminuas Mesas de plástico azuis e em cima das mesas bebidas, comidas e drogas Acho que nunca fui numa festa assim Mas me soa como algum reveillon A música toca alta e é esquisita, dropo um ecstasy Cinco minutos depois Benke e Ynaiã me chamam pra comprar mais cerveja Na loucura eu aceito Antes de sair vejo uma roda de cadeiras Jogando um jogo de tampar os rostos Como um ritual, mas é só Máfia Ao sair vejo que Benke e Ynaiã saem Mas também estão jogando o jogo Quem é o clone e quem é o real? Ou eles se separam em duas pessoas cada um? E a quantidade de pares e números dois embaralha minha cabeça Máfia e drogas Estranho, pois Marina não é uma pessoa das drogas Saio com meu par de amigos E imediatamente esqueço se são clones ou se são reais É madrugada nas ruas de Belo Horizonte E só os mendigos e crackudos e zumbis nos acompanham Estranhamente não sinto medo Pois não tenho nada a perder Naquela hora eu já percebia que era tudo um sonho Ou eu tinha enlouquecido de vez O trio acaba na casa de uma amiga em comum Alguma produtora de eventos, não lembro quem era Minha consciência pesa por conta de eu ter vazado Do aniversário da minha cunhada e minha namorada provavelmente está chateada E como estou muito louco não tem como eu sair dali sozinho Mas os meninos demoram tanto que eu sou obrigado a fugir escondido Porque se eu falasse que eu tava indo Eles iam me fazer esperar pra eles irem comigo Fiz que ia no banheiro, peguei no celular e fui pra porta fingindo atender alguém Eu tinha celular? Bem, acabou que desci do prédio e estava do outro lado da rodoviária e tinha de ir a pé Aparentemente estava rolando um protesto no complexo da Lagoinha E nenhum carro passava por lá Muita gente tilelê sentada e deitada no chão Algumas fogueiras, músicas e violão Um pesadelo assustador Juntei minha coragem e pra fugir dali tive uma ideia Ia pular do viaduto para uma bancada do lado de fora da rodoviária Subi na beirada de um dos viadutos e pulei E acabei caindo de mal jeito nos arbustos do lado de fora da maldita rodoviária Dentro dela, outra quest Pois ela também estava ocupada e estava lotada de gente e protesto Um casal me barra e fala que eu devia tá ali protestando também Não sei se conheço eles mas eles me conhecem Eu explico que estou numa festa da minha cunhada e… e realmente tenho que ir A menina de esquerda esbraveja que nenhuma festa é mais importante que a luta Eu comento que a luta deles vai ser outra amanhã Pra ela ficar tranquila que na luta de amanhã eu compareço Os dois ficam putos mas eu consigo fugir deles Encontro uma escada que dá pro sótão da rodoviária Que não existe De lá pulo pra área do estacionamento que dá pra Afonso Pena Dou graças a deus e digo que nunca mais vou usar drogas No estacionamento encontro Fefel e ele me diz que tava guardando minha jog Pego minha jog, como se eu tivesse uma jog, agradeço e vou embora Já amanhecia e tinha passado umas doze horas que eu tinha saído Me preocupei se a festa já tinha acabado Chegando na festa vejo que ainda tá rolando e que todo mundo tá muito louco Minha namorada não liga de eu ter demorado E eu falo duas palavras: explico depois Ela ri e vê que eu não tenho pupilas Na festa chego perto de Ventura e Cairê Que estão discutindo algo bobo sobre conexão de aeroporto em Recife Eles riem e eu rio e dou graças a deus que estou com meus amigos Mas estou incomunicável Então me dá um calafrio Deixei a jog ligada do lado de fora do prédio Desço com Cairê e Ventura e a jog não está na porta Eu fico com muita raiva pois ela era a minha jog Eles perguntam será que ela foi roubada ou será que ela foi multada O centro da cidade já está pegando fogo com gente trabalhando pra cima e pra baixo Rua Curitiba se eu não me engano Do nada, Kennedy chega e me dá uma guitarrada no pescoço Eu caio no chão e quando olho minha jog que estava pendurada numa árvore cai do meu lado E eu penso no menino que sonhou com o pokemon dizendo tá tudo bem agora Eles me ajudam a subir com a minha jog e me preparo pra usar drogas pra comemorar Mais um dia normal
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