
O teu grito ecoou na senzala e invadiu o ouvido Surdo do teu senhor Foi um grito forte que nasceu da dor Que nasceu crescido E pôde ser ouvido por poder se impor Grito de alma escrava Grito de uma vida inteira É grito de liberdade É grito de capoeira Capoeira grita E seu berimbau chora Ê-ê-ê Jogo de negro Que sentia a força de Zumbi Ê-ê-ê Jogo de negro Que sentia a força de Zumbi No seu coração Ócio sempre foi utopia, a realidade era as barca Tiroteio na favela e no barraco as marca Escravocrata imperial, racismo estrutural Sempre apagou minha história e fez sonhar com as parafal Nariz largo, não me agrado, os traço sempre foi fardo Padrão eurocentrado, onde não ser branco é errado Alisou meu cabelo, ofuscou minha cor, quis me transformar em barbie e minha religião deturpou Só que Xangô vingou Exu me guardou Dandara libertou e do enê fui pra nagô Subversão constou, as corrente quebrou Aqui vos fala mais uma preta que vocês não matou Contra a estimativa que cês deram, anota aí que eu vou viver muito mais do que cês me impuzeram Cria de Black Panther, Malcolm X, meu sinhô Vim pra pegar de volta tudo meu que cê roubou Ê-ê-ê Jogo de negro Que sentia a força de Zumbi Ê-ê-ê Jogo de negro Que sentia a força de Zumbi No seu coração Nasci sem sentido Contido na continência Do racismo Introjetando apagando Com veemência O ódio ao nariz A boca e a própria cor Ser chamado de mulato Pardo, é fardo Que aumenta a dor Meia alta na canela Sequela como herança 190 perseguia, lembrança Boa esperança Nessa andança, auto-ódio Agora to sem perdão, pique Felipe boladao Verso sujo, cerro o punho, contra tudo de opressao Cuzao, que Marcha pra Jesus, correndo com o Diabo Roga ódio no axé, na minha fé No meu gingado Da sua bala eu to blindado Racista atrasa, medo alastra Na encruza será Cobrado Palmeiras, Palmares, Palmas Jurema, zumbi, cabaças Marimbas, mocambos, palhas, meus verso cacimbas vastas Reflete caras frustradas Essa é pra quem dizia dos 18 ele não passa Ê-ê-ê Jogo de negro Que sentia a força de Zumbi Ê-ê-ê Jogo de negro Que sentia a força de Zumbi No seu coração Desde pequeno espancado e chamado de feio Filho bastardo, zoado, nunca amado, me odeio Sentado no canto da sala Sempre perturbado pelos outros, que me deixava em prantos Me fala Quem é o macaco ou o pé de barro? Zoam minha boca que se tornou motivo até de sarro Me dedico ao Rap pra chutar os cu de rappers Sou o criolo que ama caçar os Woodpeckers Sou preto guerreiro, nunca cover de heróis que… Enche o nariz de pó e morre de overdose Tentam pintar o Rap de branco Abafam a nossa luta e colocam nossos moleque no banco Projeto Preto se tornou um clã forte Odeio heróis brancos, prefiro o Hancock Somos melhores do que o seu hit pop A fúria negra ressuscita pra salvar o Hip-Hop
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