
Aprendi a me acostumar com todas as estações Adaptar tipo camaleões Nas camadas do véu das emoções Sigo, somos só instinto Lido com o que foi tirado do lixo Arrotando poeira Deixo e recebo um tanto Sendo o mistério do planeta A cada ocasião, São José pelas calçadas Sendo nada em meio ao tudo Pensando em nada, fazendo muito Ressaca brava Distorção do mundo na noite passada Olheiras no céu da mente cansada Passarinhos me mostraram pra onde o vento joga Então se joga! Foda-se seus dados Sei quanto vale cada linha que eu faço Ficando calvo de tanto ouvir que tudo passa Nada vem de graça Organizando os planos Acostumado com as desgraças Farsas, armadilhas e armas No laboratório, eu lavo minha alma Muita calma antes de imprimir atitudes erradas Ganho a malícia no olhar, nem arruma nada Não basta só acreditar Em meio às flores Tantos espinhos É fácil se machucar O caminho fácil fica estreito Nem sempre tem um jeito Brasileiro acostumado com o pior Que dó! Não basta só acreditar Em meio às flores Tantos espinhos É fácil se machucar O caminho fácil fica estreito Nem sempre tem um jeito Brasileiro acostumado com o pior Que dó! Nascido em hospital qualquer de São José De são esse José tem quase nada Fui descobrindo pouco a pouco sobre a vida Até descobrir que não tinha saída Única forma de ser lembrado Era vivendo a vida Deixou solidão e parentes pra conhecer vias Dormiu em rodovias Era sempre acordado pelos pássaros no novo dia Seguia a voz que cantava na mente Pra não se prender entre scripts Escritos por robôs dessa era fudida Estar com quem amava era o que mantinha Constantemente a chama viva A calça mais larga do armário Magro de ruindade Escapulário no pescoço, rap até o osso Palavras que sentia mais amor no simples do que no sensato Sóbrio demais, nunca o chaparam Dormiu em calçadas Fez companhia pra cachorros e bancos de praça Amava o sútil gosto amargo dessa madrugada São gírias e pragas Um terno usado, danificado pelo mercado Brasileiro enriquecido por bafo quente dessas pragas Rezas são como mágicas E eu to tipo bruxo Tragando o mundo, soltando tudo E eu to tipo bruxo Tragando o mundo e soltando tudo Eu via mais Deus nessas ruas do que no culto Corre pra não ter um chip na testa O que te resta? O que te resta? São 'ser-humanos' mecanizados Rap, palavras Espada, escudo e cajado Meus pés servem pra deixar os rastros Pegadas no deserto de palavras Sente o peso da caneta Idade da Pedra voltando igual uma pedrada na cabeça fraca Enquanto a mente empaca Meu caminho destaca o que tem que ser lembrado Celebra o que tem que ser celebrado Então não deixa o que passei de lado Panela depressão queimava os neurônios Eu trancado no meu quarto No quinto dos infernos No sexto andar do sétimo hospital da rua E às oito da manhã a vida continua Eu pensava que continuaria Mas o dia não nasce quando a noite vai Eu pensava que continuaria Mas vi Deus no meu espelho e ele me chamou de pai
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