
Ela tem marcas de quem lutou com o vento Facas apontadas às costas de quem lutou com o medo Achas do fogo da vida inglória, não guardou segredo Queima toda a gente, quem te abraça e quem te aponta o dedo E quem te aponta o dedo… Não sabe que a tua mãe viveu marcada e pisada E privada de viver debaixo da asa da felicidade Fraca nunca foi, mas foi rumando ao vento sul Dum lento cruel capitão que via a vida p’la garrafa A escola até prepara a inocência conformista P’ra um sistema que visa a vir tornar-te derrotada Mal sabem eles que a capitã vazia vem montada Num barco que não dá tréguas à conquista dessas águas E vai rumando ao norte A tua mãe amou-te só que a vida em vias de ser roubada Deixou-te o capitão da morte Agora ruma a outra casa P’ra onde quer que ela te traga norte Inspira, expira Aspira o estigma e cospe fora (Aspira o estigma e cospe) Espiral Mar revolto há-de inspirá-la Mágoa em mala. Vai torná-la em arte Maga, faz a escala. Parte Barco rumo ao porto a norte Forte capitã Inspira, expira (Inspira, expira) Ondas elevam o mastro Sem nunca deitar abaixo a mestre Sobra só falar que a leste Sopra à sombra quem quer vê-la ao mar Espelho, vê Lamar Ela consegue amarar e Nadar a puxar o barco Capitã na tempestade Capitão na tempestade Capitã na tempestade Capitão na tempestade Capitã na tempestade Capitão na tempestade Coabitam com sonhos Sonhos afogados 5:30, acordei com um caderno Ao lado, um demónio, copo vazio Caneta sem tinta não me facilita a escrita Eu passo-me, fico doentio Penso na minha mãe cada vez pior Vejo a minha filha cada vez maior Eu ‘tou com os Moços do Bêco, os do Sado Os do rap, os do fado Os do feito e conquistado Vê pai como o tempo passa, és avô com os olhos em água E eu com água nos olhos A ver-te em ruína p’los cantos da casa E na barca da vida o tempo passa A vida é sina, a vida ensina ou não? Ou, imagina o teu nome na praça a fintar a vida então Não largues a tua mão no meu leme Não queres assumir-te nesse posto Ou conta-me as procelas que já viste E acorda as cicatrizes no meu rosto Não largues a tua mão no meu leme Não queres assumir-te nesse posto Ou conta-me as procelas que já viste E acorda as cicatrizes no meu rosto Coisa nenhuma do que tem veio por escolha Nem ter a vida nas mãos nem numa folha Ela deixou a narração do vazio imutável Tudo é um espelho quando presa nas paredes duma bolha Coisa nenhuma do que tem veio por reza O alcoolismo do pai, o prato vazio na mesa Só escolheu ser forte e reinventar o norte P’ra capitanear as falhas da Mãe Natureza Noel Rosa em vinil, uma pausa em Lauryn Hill Uma Dupont ou uma Bic e alguma água d’olvidar no cantil P’ra afinar no lancil Não quero ser igual a ele, nem a mim… Nem a quem a vida fez já vil! Nada do que tem veio por si… Lêncio, é tudo o que resta nas arestas do vazio As vagas em redor podiam lembrar amor Mas este mar é radioativo e acorda em Chernobyl Eu só queria ver a quilha do batel No fluxo da cartilha da felicidade Mas no meu caso j’oublie que je m’appelle Invencível capitã sobre um barco de papel Mas no meu caso j’oublie que je m’appelle Imperecível capitã sobre um barco de papel Capitã na tempestade Capitão na tempestade Capitã na tempestade Capitão na tempestade Capitã na tempestade Capitão na tempestade Coabitam com sonhos Sonhos afogados
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