
No mar tanta tormenta e tanto dano Tantas vezes a morte apercebida Na terra tanta guerra, tanto engano Tanta necessidade avorrecida Onde pode acolher-se um fraco humano Onde terá segura a curta vida Que não se arme e se indigne o Céu sereno Contra um bicho da terra tão pequeno? Tu, só tu, puro amor, com força crua Que os corações humanos tanto obriga Deste causa à molesta morte sua Como se fora pérfida inimiga Se dizem, fero Amor, que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga É porque queres, áspero e tirano Tuas aras banhar em sangue humano Estavas, linda Inês, posta em sossego De teus anos colhendo doce fruito Naquele engano da alma, ledo e cego Que a fortuna não deixa durar muito Nos saudosos campos do Mondego De teus fermosos olhos nunca enxuito Aos montes insinando e às ervinhas O nome que no peito escrito tinhas Aconteceu da mísera e mesquinha Que despois de morta foi Rainha
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