
Mano, vê há quantos anos lhes sorrimos na cara sem nada para rir Mano, vê há quantos anos andamos na estrada sem um lado para onde ir Mano, e quantos freestyles fizemos lá em casa sem ninguém a ouvir? E chamam esse esforço de sonho tipo que andamos a dormir Sente o ânimo, é unânime Hoje já ninguém dorme, cochila Nem por mais golpes que a sina desfira Homeostasia, família respira Sobra nostalgia ao que a vida nos tira Investi a energia na ideologia e vi quem cuspia com disfagia Subi a fasquia, mas na praxia de quem não aparecia ainda existe azia Agi algures com a turma junta, juro que nenhum intruja lucra Se vires o meu percurso à lupa notas que nunca fujo à luta Planeiam arrastar-me para o gutter tipo IT Mas eu não oiço nada para além do beat A etapa está na cara boy, true shit Falam que me param agora? Duvido Autêntica rotina apocalíptica Onde suam pelo ouro como uma prova olímpica Intenções de boda em Bora Bora ou Ítaca Pestana pesada tipo Forest Whitaker Invídia espelhada no olhar de quem critica Não há oportunidade para quem troca de equipa Não dá para mudar, a minha rota é nítida Não têm palavra, só imitam, isso é mímica Tendo o passado tão longe Vê-se o desgaste no rosto Atrás dum repasto composto Optámos pelo rasto oposto Seja nulo, vasto ou pouco Vamos dando o arrasto com gosto Em fases de celebração nada é gasto em vão se for gasto convosco Mano, vê há quantos anos lhes sorrimos na cara sem nada para rir Mano, vê há quantos anos andamos na estrada sem um lado para onde ir Mano, e quantos freestyles fizemos lá em casa sem ninguém a ouvir? E chamam esse esforço de sonho tipo que andamos a dormir Quando era puto ouvia rap Foda-se, a mim parecia magia, complexo Ritmo e poesia, como é que se fazia uma track? Eu não sabia nem imaginava escrever uma linha com nexo Puto disléxico, com dificuldade em dizer o abecedário completo Letras… Palavras, canetas Cadernos, aparas Tinta da China preta, escorre pela mesa e deixa a madeira marcada Mancha seca, folha rasgada Cedo escrevo Aprendo a matar, aprendo a estar no tempo, mudá-lo Como tudo se rende a um calo no dedo Trabalho e esforço, será que há um bom dia sem suor no corpo? Eu sinto amor e gozo O meu rap é porco, agridoce Tudo o que eu queria era escarrar perigoso Estava a faltar, queria ser arroz doce Histórias que a vida não trouxe Estar na rua com a tropa a rimar até hoje Tive alguns sonhos concretizados (Nunca andei a dormir) Ultrapasso obstáculos de olhos fechados (Nunca andei a dormir) Os meus estão habituados a prioridades (Nunca andaram a dormir) Louros estão guardados, estamos acordados (Nunca nos vais ver a dormir) Mano, vê há quantos anos lhes sorrimos na cara sem nada para rir Mano, vê há quantos anos andamos na estrada sem um lado para onde ir Mano, e quantos freestyles fizemos lá em casa sem ninguém a ouvir? E chamam esse esforço de sonho tipo que andamos a dormir Sem nada para rir Sem um lado para onde ir Sem ninguém a ouvir Nunca andamos a dormir
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