
Era uma vez, o macaco do sexto dia Que já nascia sob o signo da rebeldia Vivia pelos galhos da Árvore da Vida Nem um pouco satisfeito com seu tipo de comida Usou e abusou do polegar opositor Para fazer oposição à regra do Criador O fruto proibido ele pegou, devorou Se embriagou, desequilibrou, escorregou Ele despencou ao som de «Lucy in The Sky» Quem mandou ignorar o aviso de seu Pai O preço que pagou por sua vontade própria Foi a queda numa savana da Etiópia A cabeça levou um choque tão violento Que ficou inchada, repleta de pensamentos Ele desenvolveu uma rara enfermidade Uma esquizofrenia chamada Humanidade Depilou o corpo, resolveu andar ereto Aprendeu a falar e não quis ficar mais quieto E logo ele chegou com uma conversa bagunçada De que a Natureza tinha que ser dominada De manhã, ele era o Macaco de Cro-Magnon A noite, ele já era o Macaco Ponto Com Acendeu sua fogueira em todos os lugares Deixou sua pegada até nos solos lunares O que que aconteceu? O Macaco caiu! Por que que aquele fruto ele teve que comer? Ele se machucou? Ele ficou Mó caco! Ele pirou? Ficou com a cuca má! Seu transtorno bipolar vai de Marte à Afrodite Vai do Partenon ao Campo de Auschwitz Entre o navio de Darwin e a Arca de Noé Não consegue entender quem realmente ele é Tem na mão direita a grana que ignora o coração Ele inventa o problema para vender a solução Para fugir da sua verdadeira naturalidade Ele vive almejando uma tal felicidade O animal doente que controla o seu destino Na «Ilha das Flores» ficou abaixo dos suínos Inquilino de um planeta que ele chama de aldeia Onde bombas de hidrogênio ele semeia, meia, meia Tem dia que ele tem a compaixão de quem socorre Tem dia que ele tem a ambição de um Doutor Gori É um simiano totalmente controverso É um vírus no Software do Universo Tentando copiar a sua antiga moradia Inventou religiões e várias utopias Do desenho na caverna logo após a sua queda Ao atual livro sagrado escrito em papel moeda O elo perdido entre o bicho e o anjo Coleciona lixo para aliviar o banzo O belo banquete de castanhas e avelãs Deu lugar à uma marmita cheia de esperança vã Suas nuvens de veneno e suas Torres de Babel Apagaram a visão do que sobrou do céu Mas um dia o filho pródigo do «Grande Arquiteto» Verá que a sua caída é parte do projeto No monolito negro ele fará o sacrifício E voltará pra casa no próximo solstício Encerrando a procura pelo Eixo deste mundo Essa é a jornada do macaco cabeçudo
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