
Eu tenho um pressentimento Eu não vou perder mais tempo Não vou, não vou, não vou, não vou Não vou Nasci no Douro, plantei fruto de ouro à espera que brote Nunca vi o criador, mas sei que tem luvas de boxe Assiste ao desbote do tempo, o tempo foge e come Sentimento é fome Não deixo que a vida me devore e sufoque Fundação, família luta e suor Bê-á-bá da felicidade, esse eu sei-o de cor Ninguém me sabote, não pode Não há ninguém que derrote Se sou escravo da poesia eu rimo ao som do chicote Cada corte no coração, lição para algo melhor Não me agasalho com o manto que o diabo descose A morte velhote à espera que eu colabore A vida dá-me choque atrás de choque Para que não me acomode Antes que a visão piore não me despeço do sol Focamos no sonho quando a realidade é um desfoque O arco-íris explode quando nasce Vou aproveitar a chuva colorida antes que evapore É um transtorno quando não há retorno, investes o abono Não reajas com inveja, ou seja com dor de corno Pedras no sapato, uso botas ou sapatilhas Querem correr comigo, amigo eu corro milhas Ficas morto como pilhas, por baixo como cedilhas Guarda a mágoa, não metas mais água, fecha as escotilhas Não dou importância à ânsia da inexperiência da infância Queres passar por tudo e todos, mas não vieste de ambulância A abundância da ignorância é pura arrogância À parte, como daqui para Marte mantenho a distância Não quero gajos quadrados na minha circunferência Muitos neurónios queimados causam interferência Não faço amigos como lojas de conveniência Alguns são um concerto vazio sem assistência A vossa atitude perdeu por falta de comparência Manos fechem a actividade, entrem em insolvência Eu tenho um pressentimento Eu não vou perder mais tempo Não vou, não vou, não vou, não vou Não vou Así que ve al grano, aquí los días empiezan temprano Y hay demasiado villano que me llama hermano Llamo a todas mis musas aunque estén dormidas Ya no hay tiempo para excusas, se pasa la vida No me motiva aparentar ni mentir Tampoco hacerme fotos pa' que puedan vacilar en Tuenti Aprendí a decir que «no» Respiré oxígeno lejos de don nadies que se creen fenómenos De esos memos sin voz que lanzan críticas vacías Todo es una cuestión de químicas y de energías Necesito diez días a la semana Paso de dramas, de damas con ganas de mamar de mi fama Jamás me interesó el chismorreo Ni hijoputas que disfrutan con disputas de recreo Tanto jaleo y mareo, pero no me bloqueo Toreo dificultades, peleo por lo que creo Los dramas, los celos, las trampas, los egos Las guerras, los miedos, las poses, los juegos La fobia, la ira, el rencor, las promesas Me hacen perder el tiempo y no me interesan A consciência não está leve, empurras a bola de neve À espera que alguém tropece e, que isso te eleve Vives desgastado, nutres pensamentos pútridos Autocentrado, adoras problemas crónicos Desliga a mente, respira agora, vive a hora sem demora Acorda já, aprecia a aurora Muda de conduta, que a tua vida melhorará Em vez de andares por aí perdido ao Deus dará Afinal o que é que importa o que é que os outros pensam Preocupado com a derrota Nunca queres que os outros vençam Demasiado obcecado com o fado do teu amigo Obstinado em saber se está rico ou falido Casado ou divorciado, feliz ou deprimido És sempre ressabiado ou tens o orgulho ferido E essa preocupação põe-te o cabelo cinzento Eu tenho um pressentimento, não devias perder mais tempo Eu tenho um pressentimento Eu não vou perder mais tempo Não vou, não vou, não vou, não vou Não vou Tu não fazes ideia daquilo que eu já vivi Não há amor nestas ruas, isto é cada um por si Está tudo a bater mal neste antro A violência gratuita é sempre pela merda do grunf (o) A segurança social, o Iva, o tribunal, família A bófia liga para o meu telemóvel em vigília comigo, está cega, está tipo fera Diz que me vai fazer a vida negra E no meio disto tudo não há acção social Mas estes gajos estão mais numas de ação capital Estou farto de vigaristas, conformistas A minha vida é mais real, prefiro parar com os anarquistas Não quero discutir pessoas ou eventos Quero discutir ideias, viver momentos com o meu rebento Estou farto das revistas, das modas, das pitas, das motas Das festas que rodas com essas Eu tenho um pressentimento Eu não vou perder mais tempo Não vou, não vou, não vou, não vou Não vou
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